Um  Ace Frehley limpo recebe defesa por sua carreira pós-KISS

Tradução: Wagner Araujo - KISS ARMY BRASIL

 

8 de Julho spinner.com


Era uma vez e Ace Frehley estava no topo da montanha dos guitarristas de hard-rock com ensurdecedores riffs no KISS tais como “Calling Dr. Love”, “Strutter” e “Detroit Rock City”, músicas que ajudaram a levar o quarteto maquiado ao status de deuses do rock da década de 70. Mas enquanto Gene Simmons criava um império de negócios que rivalizava com a Disney em mechandising, Frehley seguiu pelo caminho de tantas estrelas do rock da década de 70, a saber, drogas e bebidas. Chegou ao ponto de Gene Simmons dizer publicamente há alguns anos atrás que não trabalharia com Frehley de novo por causa de abuso de substâncias.

Hoje, contudo, tendo completado uma tour com sucesso, trabalhando em um novo álbum e sendo celebrado por uma nova geração de guitarrista jovens, Frehley está tendo uma doce defesa. Ace falou com a Spinner sobre os  caminhos difíceis de seu passado, seus próprios heróis da guitarra e uma recentemente memória ressurgida de ser roadie de Jimi Hendrix.


Por que as pessoas ainda estão atentos à sua música 30 anos após você ter começado?

 Eu não entendo completamente, mas sei que em muitos daqueles solos e outras coisas que eu fiz eu coloquei minha alma e meu coração. Então talvez isso de alguma forma chegue pelos alto-falantes.


Quantos anos você tinha quando começou a tocar guitarra?

Eu tinha treze anos, e na verdade meu irmão e minha irmã tocavam violão , tipo, folkie dos tempos hippies e estavam tocando músicas de Peter, Paul e Mary* e músicas folk, ambos tocavam piano e eu ia no “Tirem-me daqui!” quando um amigo meu comprou uma guitarra japonesa por 25 dólares e um pequeno amplificador com um alto-falante de seis polegadas. E eu ia com o acústico do meu irmão, mas essa realmente não era a minha. Quando eu pluguei a guitarra elétrica, coloquei o amplificador no 10 e toquei só uma nota, foi como amor à primeira vista. Fui fisgado, e a partir dos 13 tem sido um caso de amor entre a guitarra e eu.


Quem eram os guitarristas que mexiam com você?

 

Keith Richards e os Stones eram grandes. Depois, claro, vem toda a invasão britânica com os Beatles e um pouco mais tarde, Jimi Hendrix, Eric Clapton, Cream, The Who, enorme influência. Eu nunca considerei Pete Townshend um guitarrista brilhante em si, mas quando chegam os acordes... eu aprendi a tocar guitarra base com Townshend. E eu ouvia isso porque era brilhante.


Quais são seus momentos de guitarra favoritos em seu próprio trabalho?

Os solos de “Strange Ways” e “Fractured Mirror” eu estava ouvindo outro dia. Estávamos tentando trabalhá-los para o show, íamos fazer isso e “Ozone”, mas eu acho que vamos esperar até a próxima tour porque eu não quero fazê-los, a menos que estejam perfeitos. Eu não sou bom em criticar meu próprio trabalho, prefiro que outras pessoas o façam. O que você acha?

 

Uma música pela qual eu me apaixonei recentemente, embora não seja uma música para guitarra, é “Hard Luck Woman”.


É uma boa música. “Calling Dr. Love” é uma boa música. Estou tentado me lembrar o solo de guitarra porque não consigo ouví-lo em minha cabeça. Em “God Of Thunder” eu realmente fiz um solo legal. Gene era legal comigo no estúdio. Ele costumava me dar idéias. Ele dizia “Ace, faça o ‘dinosaur bend’ aqui e então algo rápido e depois essa coisa melódica. Ele me ajudava a tirar essas coisas de mim, porque naquela época eu não estava sempre presente, embora eu sempre estivesse lá ( gargalhadas ).

 

Você tem alguma história de quando você não estava lá, mas estava presente?
 
Eu tive sorte o bastante, não sei se essa é a palavra certa, mas tive sorte por ficar bêbado com Alice Cooper antes de ele ficar sóbrio ( gargalhadas ). Era louco porque fui convidado para sua festa de aniversário e estava sentado à mesa. Estava do lado dele e Paul Stanley estava do outro lado. Paul não estava bebendo e, claro, eu estava completamente bêbado e Alice também. Permanecemos assim e Paul estava em um nível completamente diferente. Mas eu acho que Alice ficou sóbrio pouco depois disso.

 

Você conseguiu se relacionar com muitas pessoas, como Alice Cooper. Houve momentos em que você agiu como um fã de música?


É engraçado, recentemente eu me lembrei que fui roadie do Jimi Hendrix em sua última apresentação em Nova York quando eu tinha 18 ou 19 anos no show de Randall’s Island. Esqueci-me disso por anos e estou tentando encontrar um vídeo desse show porque eu estava do lado do palco com calças amarelo limão vivo e uma camiseta preta com uma mancha de pele de cobra e meus cabelos até a cintura ( gargalhadas ). Acabei indo furtivamente até os camarins porque eu parecia uma estrela do rock. Andava por lá observando, era como um festival, vendo os caras da banda entrando e saindo para ver outros grupos já que não havia laminados naquela época. Fiquei lá como se fosse alguém, me misturando, com Steppenwolf, Jethro Tull, Grand Funk Railroad quando finalmente alguém disse “Quem é esse cara? De que banda ele é?’ Alguém veio até mim e disse “Quem é você?”. Eu disse “Não sou ninguém ( gargalhadas )” . Naquela época eles eram diferentes. Eles diziam, “Bem, você pode fazer alguma coisa?” “Pode montar minha bateria?” “Pode afinar minha guitarra?” Eu disse, “Sim, posso”. Só sei que depois eu montei a bateria de Mitch Mitchell da banda de Hendrix. Foi surreal.

 

Eis a coisa de ser fã de música que virou artista, mas você nunca perdeu a aura de fã.

 

Não, você nunca perde. É que eu sei o quanto gosto de minha privacidade, então eu nunca gosto de pressionar outras estrelas. Nunca vou atrás de outras pessoas porque sei o quanto não gosto de ser incomodado. E muitos caras, Hendrix se foi... eu nunca trombei o Clapton, pelo menos não que eu me lembre. Nunca encontrei Jeff Beck. Só porque nossos caminhos nunca se cruzaram.

 
Quem é o produtor com quem você está trabalhando no álbum agora?

 

Eu. É um bom corte transversal no heavy rock de Ace Frehley. É mais como o primeiro CD que eu fiz com “New York Groove” do que com os álbuns mais recentes que lancei porque canto em todas as músicas e escrevi todas as músicas. É um álbum Ace total.

 

Quão excitado você está para lançar esse álbum e sair em tour?

 

É uma hora realmente excitante para mim porque por muitos anos eu trabalhei com o passado e talvez de forma mal criada tenha dito que estava ferrado com as drogas e o álcool e não poderia render ou isso ou aquilo. Eu não era digno de confiança. E esse não é o caso hoje. Então é um bom sentimento estar apto para sair e tomar conta dos meus negócios na estrada e estar limpo e sóbrio, aparecer na hora marcada e dar entrevistas e me divertir, o que de certa forma dissipa toda a negatividade que me envolveu à época.


Você sente-se justificado pelo álbum e pela tour?


Espero que sim, espero  que  aconteça porque  por  muito tempo eu estive perdido ( gargalhadas ). E é bom estar de volta, é legal ser reconhecido pelo que me cerca e reclamar meu trono no rock and roll.

 

É interessante  você ter posto dessa forma  porque eu estive no show tributo a Dimebag Darrell no House of Blues em Los Angeles e dava para ver pela interação com os guitarristas jovens o respeito que eles têm por você. Há algum guitarrista em que você enxergue sua influência ou similaridade?

 

Sim, John 5 é um bom amigo meu. Obviamente, Dimebag Darrell era um bom amigo meu. Eu passei um final de semana com ele e sua namorada em sua casa em Atlanta dois anos antes do incidente. Eu nunca pensei em quantas pessoas eu influenciei, mas eu sei que são bastante. Provavelmente eu teria praticado mais se eu soubesse  ( gargalhadas ). Mas não é algo sobre o que eu pondere; hoje eu foco no presente e no futuro. A vida é boa. Eu estou feliz por estar vivo. Algumas vezes eu quase bati as botas.

 

Você fala com o pessoal do KISS?


Sim, Gene me telefonou em novembro do ano passado e me convidou para participar de seu show na televisão. Eu estava muito ocupado. Eu falo com Paul três ou quatro vezes por ano. E falei com Peter em outubro. Todos nos mantemos em contato.

 
Mas a essa altura é a carreira solo que você quer fazer?

 

Eu gosto de fazer minhas próprias coisas porque estou no controle do meu destino na maior parte. Quando eu trabalhava com o KISS, Paul e Gene, principalmente Gene, são malucos pelo controle e me deixam maluco porque tomam decisões estúpidas sem me consultar. Eles têm todo aquele merchandising louco. Estamos vendendo caixões.

 
Qual foi a coisa mais doida em que você viu seu rosto estampado?

 

Não sei. Papel higiênico, talvez ( gargalhadas ). Você me mata.

 
Últimas palavras?

 
Só queria agradecer todos os fãs que me apoiaram ao longo dos anos. Eu tenho os melhores fãs do mundo, e vocês não ficarão desapontados com o novo disco, acreditem. Eu preciso ser justificado ( gargalhadas ).

 

N.T.:  Peter, Paul e Mary *– banda americana de folk que teve seu início de carreira em 1961.