ENTREVISTA PAUL STANLEY

Tradução: Wagner Araujo - KISS ARMY BRASIL


POR JARNO HUOVILA

JH - Já que não há nenhum álbum para promover, você poderia nos contar um pouco sobre o tema para essa nova tour KISS ALIVE 35?

 
PS – Bem, quer dizer, obviamente KISS ALIVE 35 é o 35º aniversário da banda e isso é tudo. Não estamos em um ponto em que toda a vez que saímos em tour precisemos de um novo álbum.  Especialmente porque isso é uma porcaria, a idéia de que quando você faz isso as pessoas falam em querer um novo álbum, mas no final do dia eles realmente não querem ouvir um álbum novo. Ninguém quer, ninguém quer ouvir um álbum novo dos Rolling Stones, ninguém quer ouvir um álbum novo do The Who. Você não vai a um show para ouvir música nova, você quer que a banda vá e toque a música nova, mas aí você não quer ouví-la. Eu entendo isso, mas por que ir ao estúdio e fazer um álbum quando as pessoas compreensivelmente querem ouvir os clássicos; essas são as músicas que significam alguma coisa porque estão ligadas à uma época da vida de uma pessoa. Uma nova música é recente, mas não tem ligação, então você a ouve cinco vezes e diz “isso é legal, agora toque “Love Gun”!

 

JH – Então essa tour é basicamente uma celebração de sua carreira de 35 anos?

 

PS – Sim, e mais, quando estivermos na Europa, tocaremos todo o “KISS Alive”. Então, você sabe, aqui fazemos um pouco diferente porque temos uma relação diferente com a Austrália, e tentamos incluir uma área mais ampla da música.

 

JH – Como você mencionou, vocês decidiram tocar “Alive” em sua íntegra na Europa. Como pode, se vocês não estão nem usando os trajes do “Alive” nessa tour, e sim os da época do “Destroyer”?

 

PS – Bem, porque não estamos recriando o passado, o estamos celebrando. Não é sobre montar o show do “KISS Alive”, não é sobre vestí-lo, não é sobre fazer um discurso para recriar aquele momento, os trajes ou o que quisemos usar porque usamos o outro, você sabe.   E não queremos aparecer com novos trajes. De novo, novos trajes são quase como um novo álbum. Alguém pode dizer “Quando vocês terão novos trajes?”, mas se aparecêssemos assim, eles diriam “Por que vocês não estão vestidos como KISS?” Então, em algum ponto temos que fazer o que achamos que faz mais sentido.

 

JH – Além do álbum Alive, quais outras músicas os fãs europeus podem esperam ouvir nessa futura tour?


PS - Oh, realmente, tocaremos todo o KISS Alive, mas depois tocaremos os clássicos de fases diferentes da banda também. Mais do que apenas lhe dar uma lista,
é muito sobre o que as pessoas podem esperar, que é sempre uma faca de dois gumes porque alguém vai dizer “Vocês estão tocando as mesmas músicas.” Certo, porque as pessoas querem ouvir aquelas músicas, então o punhado de gente que está cansado disso deve ficar em casa.



A MANIA KISS EUROPÉIA

 

JH – Na Austrália vocês geralmente tocam algumas músicas especiais como “Shandi” que foi um hit por lá. Na Europa e nos países nórdicos especialmente, seus maiores álbuns foram provavelmente os da década de 80, de “Lick It Up a “Crazy Nights.” Levando-se isso em conta, talvez vocês possam tocar coisas como “Heaven’s On Fire” por lá, por exemplo?

 

PS – Bom, sim, absolutamente. Bom saber.

 

JH - Os shows se esgotaram instantaneamente em toda a Europa. Qual foi sua reação à rapidez das vendas dos ingressos?

 

PS – Sim, na verdade é a maior tour que já fizemos na Europa, maior que a Reunion Tour. Então, isso novamente mostra que as pessoas amam o KISS; é simples, sabe. As pessoas amam o que fazemos e o que representamos e de novo é sempre interessante quando alguém diz “Ah, mas não são todos os membros originais”, mas é KISS. E eu acho que as pessoas estão brincando se acham que deveríamos parar por não sermos todos originais ou que deveríamos levar em conta o fato de sermos o KISS, primeiro e principalmente. Cada vez que subimos no palco, revivemos tudo o que fizemos. Eu sei, eu estava lá.

 

JH – Você sabe que um novo recorde na  Estória do KISS foi atingido? Primeiro na Suécia, mas poucos dias depois o show na Finlândia se tornou o show do KISS de vendagem mais rápida de todos os tempos!

 

PS -  Sim, Helsinque. Sabe, é um honra, significa muito para mim e significa que temos que retribuir o tanto quanto pudermos e o faremos.

 
JH – Há praticamente uma nova geração de fãs do KISS, crianças com até menos de dez anos de idade. Você percebeu esse fenômeno em suas platéias ao vivo?

 

PS – Sim, e isso é ótimo. Eu acredito que o que fazemos não tem época ou idade, não tem um tempo em particular, é para sempre.

 

JH – Há lugares interessantes em que vocês tocarão nessa tour também, como a Rússia e a Sérvia. Como você se sente por tocar em lugares em que nunca esteve antes?

 

PS – Muito excitante. Fazer isso o tanto que fizemos e descobrir algo novo é tão divertido quanto fazer algo que é familiar. É ótimo voltar a lugares que conhecemos e saber o que esperar, mas também é ótimo ir a algum lugar em que não estivemos.

 

JH – A última tour Européia foi para o álbum Psycho Circus, em 1999. Uma vez que a demanda, julgando o sucesso dessa atual tour, sempre esteve lá, por que então levou tanto tempo para o KISS retornar à Europa?

 

PS –  Estivemos ocupados. E eu gosto de passar bastante tempo em casa, eu tenho uma família. Eu também queria sair e fazer minha carreira solo, eu também queria fazer o “Fantasma da Ópera”. Sempre há muitas coisas a se fazer e tão poucas horas no dia e, em determinado ponto meus filhos me querem em casa. Esse é um bom motivo para se ficar em casa. Eu quero estar com eles.

 

JH – Depois da parte Européia da tour, ela se estenderá para os Estados Unidos, Japão ou outras regiões também?


PS – Realmente ainda não sei. Minha arte tem ido fenomenalmente bem  e tenho shows agendados, apresentações em galerias para isso e ainda há o papo de fazer o “Fantasma da Òpera” de novo, então há muitas coisas puxando para diferentes direções. E eu não quero fazer algo que não esteja totalmente certo de que queira fazer.

 
JH – Mais uma pergunta sobre a nova tour. Há o papo de que Eric McKeena esteja trabalhando em novas guitarras para você?

 

PS -  Eric sempre está trabalhando em alguma coisa, ele tem sua grande empresa “Boogey Street” e faz diferentes tipos  de variações de algumas de minhas guitarras. Ele está trabalhando em uma versão acústica e algumas outras coisas. Eric é um cara bom.

 
 JH – Você já sabe se vai usar algum desses modelos novos na tour Européia?


PS – Provavelmente não, voltei para algumas de minhas Washburn mais velhas, que relançaremos novamente porque elas são ótimas guitarras.

 

FUTUROS LANÇAMENTOS


JH – Os fãs podem esperar um lançamento, DVD talvez, a partir dessa “Tour Alive 35” ?

 

PS – Boa pergunta. Não há planos agora, certamente nada na Austrália, mas é o lugar perfeito para se fazer alguma coisa.

 

JH – E os DVDs KISSOLOGY, vocês ficaram surpresos por ter terem ido tão bem?

 

PS – Eu acho que minha maior surpresa é que o KISSOLOGY III é o maior e eu achava que o KISSOLOGY I seria o maior porque ele é o começo. E se você acreditasse nas vozes e opiniões mais altas, você acharia que a maioria das pessoas queria o material mais antigo. Mas, o que vendeu mais, de longe, foi o terceiro. Então, mais uma vez as pessoas que falam mais alto não são necessariamente a maioria.

 

JH -  Você deve se sentir inocentado vendo como aquela época é apreciada agora, embora possa não ter sido assim à época?

 

PS – Bem, é engraçado como há pessoas que querem que o KISS seja a banda particular deles e seja exatamente como eles acreditam que o KISS deveria ser. A maioria dessas pessoas é minoria. Sabe, cinqüenta, sessenta mil pessoas em Melbourne foram ver o KISS, os shows em Helsinque se esgotaram porque eles estavam lá para ver o KISS. Os poucos insatisfeitos permanecerão insatisfeitos.

 

JH – Vocês têm mais material antigo armazenado para lançamentos posteriores?

PS –  Sim, temos planejado mais KISSOLOGIES. Podemos dizer que o KISSOLOGY IV sairá muito em breve.

 

JH – Continuará a partir de onde a terceira parte parou ou terá o foco em outra coisa?

 

PS – Não sabemos ainda porque estamos afastados, mas há muita coisa. Temos muito material de vídeo.

 

JH – Vocês têm algum material profissional filmado entre 1983 e 1985?

 

PS –  Sim, temos. Com certeza temos muito material dessa época também.

 

JH – Seria ótimo ver esse material algum dia, não há nem mesmo um material pirata de qualidade decente dessa época.

 

PS -  Sim, sabemos.

 

CONTROLE DE BOATOS

 

JH – Há um rumor de que recentemente vocês regravaram alguma coisa antiga do KISS. Há alguma verdade nisso?

 

PS – Bem, é um bom rumor.

 

JH – Só isso?

 

PS – Sim. Se o fizemos, parece ótimo. Sabe, soaria tão bom quanto soou, apenas mais poderoso em termos de som. Mas SE regravamos, soaria idêntico, apenas com mais fidelidade.

 
JH –  Mas vocês não regravaram?

 

PS – Como eu disse, se nós regrávamos.


 
JH – Depois da conferência de imprensa em Melbourne, o que tem passado muito na cabeça das pessoas é como o KISS poderia continuar sem você, se necessário. Você se importaria em explicar?

 

PS - Eu acho que o KISS é muito mais que uma banda. Eu acho que nós nos definimos pelas regras que quebramos e eu ficaria bajulado se estivesse certo e alguém pudesse assumir meu lugar. De novo, a idéia de alguém mais sobre o que é o KISS não necessariamente fala pela maioria. Então alguém diz “Oh, tem que ser os quatro originais” e agora eles dizem “Oh, tem que ser Gene e Paul”, eu não concordo necessariamente.  E seria, como eu acredito muito, um tributo a tudo que o KISS representa se a banda continuasse sem mim. Não significa que não estarei lá, não significa que eu não controlarei as coisas, mas eu acredito no que o KISS representa, a idéia de dar um grande show e fazer o seu melhor e divertir. É muito além dos indivíduos na banda.

 

 JH – No passado você disse que quando não tivesse mais apto a dar cem por cento, você se retiraria do palco. Ainda pensa assim?


PS -  Não sei como colocar isso. Eu sempre posso dar 100%, é um 100% como era antes? Claro que não, mas enquanto eu me sentir bem no que esteja fazendo eu posso continuar. É uma pergunta difícil de responder, mas chegará o dia em que essa pergunta será respondida.



RELACIONAMENTOS

JH - Sempre há especulações entre os fãs sobre o relacionamentos dos membros da banda entre si. Como você descreveria sua relação com Gene Simmons após todos esses anos?

 

PS – Provavelmente melhor do que por um longo tempo, porque damos um ao outro muito espaço. Sabe, 35 anos, na verdade ( para Gene e eu ) é mais que isso, são 38 ou 39 anos. Éramos diferentes quando começamos, somos mais diferentes ainda agora, então temos que dar espaço suficiente para sermos o que queremos ser, e não estarmos no caminho um do outro. Mas quando é sobre o KISS, estamos focados e é tudo que esperamos. Nos damos bem. Você não tem que viver com seu irmão, você ama sua família, seu irmão, mas você não quer passar todo o tempo com eles.

 

JH – E sobre os outros membros atuais da banda, Tommy Thayer e Eric Singer? Ambos parecem ser legais e fáceis de se lidar no trabalho. Parece ser um trabalho com menos discussão com eles em relação aos outros membros passados da banda?

PS – Ah, sim. Para mim tem que ser divertido, se deixa de ser e eu quero continuar, então alguém tem que sair. É o que estava errado na “Farewell tour”.  A “Farewell tour” me fez querer não querer acabar com o KISS, mas querer parar de tocar com dois caras. Então, eu levei um tempo para perceber que eu não queria dizer adeus ao KISS, eu queria dizer adeus a alguns membros. Para melhor ou pior, não estava funcionando, não estava legal. Eu não achava que todos estavam agradecidos pelo que tiveram. Deixou de ser divertido porque as pessoas deixaram de perceber  o quão felizardos eles eram. Tenho que dizer que todos os dias eu sou grato por tudo o que aconteceu com o KISS. Sou abençoado e trabalho muito duro para manter isso. E quando as pessoas ficam indiferentes ou não respeitam isso, não é legal.

 
JH -  Você tem algum tipo de contato com Ace Fehley e Peter Criss?

 

PS - Falei com Ace, mas não muito recentemente. Acho que ele está se sentindo bem ao tocar em clubes e isso é bom para ele. É ótimo que ele esteja fazendo da sobriedade a sua prioridade. Qualquer outra coisa que ele pense, eu não me importo. Estou feliz por ele estar vivo, feliz por ele estar saudável. O resto não é importante.

 

JH – Em seus recentes shows, Tommy Thayer está cantando “Shock Me”, música com a marca Ace. Como você se sente perante as reações negativas a isso?

 

PS – O que importa? Quero dizer, honestamente, é loucura achar que não tocaríamos uma música do KISS. Até onde eu saiba, Ace também está tocando músicas do KISS. Ele está tocando “Love Gun” e “I Want You” é isso é legal, não tenho problemas com isso. De novo, cinqüenta mil pessoas ficaram felizes ao ouvir “Shock Me” de novo, cinco pessoas odiaram, mas você não pode agradar todos.

 

CARREIRA SOLO

 

JH – Você lançou “Live to Win” em 2006 e foi seu primeiro lançamento solo em dezessete anos. Olhando para trás, como você pondera todo o processo; processar um álbum, fazer uma tour solo, o retorno que você recebe dos fãs, etc?

 

PS – Bem, eu fiz “Live to Win” com a específica idéia de não fazer um álbum do KISS com um homem apenas ou um álbum que soasse como o primeiro. Nos dois casos seria muito fácil. Se eu quiser fazer um álbum do KISS sozinho, eu consigo. Fiz coisas como essa antes, você sabe. Então, eu quis me levar para um direção diferente. Algumas pessoas entenderam, algumas não, mas sair e tocar foi espantoso. Tocar ao vivo é sempre a melhor parte e aquela banda era loucamente boa.


JH – Em sua tour solo você tocou nos Estados Unidos e Austrália. Já que está havendo um tipo de “KISSteria”” rolando na Europa agora, há alguma chance de ver a tour solo do Paul Stanley por lá algum dia?

 

PS – Eu queria excursionar pela Europa, mas de novo, não havia tempo. Eu realmente queria e o pessoal da banda não queria parar nunca. Eles ainda querem continuar e eu adoraria, é apenas uma questão de encontrar tempo.


JH – Há alguma chance de lançar mais álbuns solo no futuro?

 

PS –  Claro que há uma chance, apenas não sei quando. Se eu fizer outro, não soaria como o último. Provavelmente seria mais direcionado à guitarra. Depois de terminar o álbum solo eu estava pronto para voltar e gravar outro, só não havia mais tempo. Mas o que eu queria fazer, se eu fizesse outro, seria direcioná-lo mais para a guitarra. Mas eu me diverti muito gravando o álbum e fazendo os shows.

JH – Por acaso, eu me encontrei com o lendário baterista Carmine Appice no último verão e quando o perguntei sobre sua participação em seu álbum solo de 1978 ele não conseguiu se lembrar em que músicas ele tocou... Você pode trazer alguma luz à questão?

PS – Ele tocou em “( Take Me Away ) Together As One”, apenas essa.

 

JH – Na década de 80 você gravou um álbum com material nunca dantes lançado. Originalmente esse era para ser outro álbum solo de Paul Stanley?


PS – Não, não houve álbum solo. Eu li sobre isso. Se tudo o que li fosse verdade, ou eu seria um felizardo ou estaria em problemas. Não houve álbum solo. Eu comecei a compor com a idéia de que fosse para outras pessoas e muito mais para pessoas do pop. Nunca foi para ser meu álbum. Na verdade eu fiz essas músicas com a idéia de que fossem completamente descaracterizadas de mim, quero dizer, nunca escrevi nenhuma daquelas músicas com qualquer propósito de me identificar com elas.

 

JH – Aquele material é bem pop e orientado para os teclados, como “Time Traveller”, por exemplo...

 PS – Sim, foi bem pop, muito melódico e eu nunca me sentiria confortável com essas músicas. “ Time Traveller’ era um deles, havia também outro chamado “Two Hearts Collide” e... havia uma porção delas. Eram apenas boas músicas, quase um exercício para compor com a idéia de que não era para mim.


JH – Parece que nosso tempo está acabando, com tanta coisa mais para discutir, mas eu preciso perguntar a situação do DVD LIVE TO DREAM?


PS –  Acho que sairá em Junho ou julho, e será lançado pela Universal.

 

JH – Então será um lançamento mundial?


PS – Sim, definitivamente.

 
JH – Obrigado. Nos vemos em breve, na Finlândia ( ente outros lugares ).

 
PS – Sim, absolutamente. Um obrigado especial à revista THIS IS ROCK e à Chrissie Camp da McManus company.